2019 marca mudanças importantes na carreira da nadadora do SESI-SP: mudança de local de treinamento, de moradia e de estilo dentro da piscina. Porém todos eles com o sonho da medalha olímpica

São Bernardo do Campo, 18 de fevereiro de 2019 – O ano de 2019 é, definitivamente, um ano de recomeços para a nadadora Etiene Medeiros. Desde o dia 07 de janeiro ela e seus companheiros de SESI-SP, incluindo o técnico Fernando Vanzella, mudaram de ares: o novo centro de treinamento da equipe é no SESI em São Bernardo do Campo, cidade do ABC paulista.

“Foram seis anos na Vila Leopoldina e estou muito feliz em vir para uma casa nova, levantando a mesma bandeira e isso quer dizer muita coisa. Está sendo uma mudança bem diferente, no sentido de estar em uma cidade nova, em uma cidade mais pacata que São Paulo, aqui respiramos muito natação. Nossa estrutura está bem melhor, nosso staff está focado apenas na natação e isso é um grande diferencial para nossa equipe. Ano que antecede os jogos olímpicos preciso de muito foco”, analisou.

2019, ano pré-olímpico. A pernambucana sabe bem o que significam esses meses que antecedem o sonho olímpico, como foi em 2015 ano que antecedeu sua primeira experiência nos jogos olímpicos do Rio 2016.

“Um ano que vou treinar muito. Teremos um ano de intensidade como já está sendo desde o início da temporada. Este é um ano que antecede os jogos olímpicos com competições muito importantes: o pan-americano, mundial militar, mundial de natação, várias competições internacionais. Será um ano cheio, de muito foco, disciplina, por que sem isso e sem uma programação você não consegue fazer nada certo. Ano que precisa estar tudo ‘redondinho’ para que você possa fazer tudo do melhor jeito”, avaliou.

Assim, o primeiro semestre começa a todo vapor: nesta semana Training Camp no Complexo do Time Brasil, no Rio de Janeiro. No final de março competição na França que será preparatória para o Maria Lenk em abril, grande momento do ano com a competição sendo seletiva para o pan-americano e mundial.

“Temos uma noção macro de como será 2019, sentamos eu e Vanzella (treinador) no início do ano e programamos até dezembro. Mas pensamos passo a passo nas ações. Após o Maria Lenk fui convidada pela Fina para participar de etapas na China, Europa e EUA. São competições que estão em nossa programação, porém ainda não definimos quais delas iremos, mas será entre maio e junho. Então, como podem ver, será um ano muito extenso e acredito que preciso focar no que irei absorver nessas competições, pois elas serão minha bagagem para nossas competições foco (pan e mundial)”, acrescentou a pernambucana.

Se, até aqui, 2019 está sendo diferente fora da água, dentro da piscina também há novidades. Depois do bronze nos 50m livre em Hangzhou, na China – uma medalha talvez naquele momento não tão esperada quanto nos 50m costas – a ideia de se dedicar às provas de crawl rumo à 2020 foi amadurecendo e, neste início de temporada batido o martelo entre atleta e técnico: 50m e 100m livre serão o foco.

“Muita gente me questionou qual seria meu foco para 2020. Nosso foco hoje estão sendo as provas de crawl, de velocidade: os 50m e 100m livre são o nosso foco. Por conta disso o treinamento mudou: se antes eu fazia mais costas e menos crawl, agora faço o contrário. Muitas vezes o treino é focado mais no crawl e o costas vem em algum treino específico. Meu foco serão as provas de velocidade. Não vou deixar as provas de nado costas de lado – até por que sou uma garota que tenho um leque de provas e isso é mais uma oportunidade para mim – gosto de nadar o ‘costa’. Vou sempre levar as duas provas comigo, mas o crawl agora estou dando uma atenção maior”, declarou Etiene que em 2016, nas Olimpíadas do Rio foi finalista dos 50m livre, outro indicativo que ajudou na escolha para 2020.

O técnico Fernando Vanzella explica como foi a escolha e, como está sendo essa mudança de foco na prova principal da atleta. “Antes de tudo é preciso dizer que a Etiene é uma menina muito versátil. Ela tem habilidades para nadar as provas de 50m e 100m, em três estilos: livre, costas e borboleta. E agora é o momento de apertar um pouco mais e achar uma prova onde ela possa ter um resultado expressivo como ela já tem nos 50m costas. Temos um desafio em achar qual o melhor caminho para ela buscar essa medalha nos Jogos Olímpicos e, nesse primeiro momento enxergamos que os 50m livre é mais físico e natural dela. Se for falar em técnica, claro que o nado costa dela é melhor, então temos que focar nos 50m livre para melhorar essa questão técnica, da saída que ela pode fazer uma melhor saída e com isso, já tem um tempo expressivo na prova e uma bagagem como medalhista em mundial de curta, ela vai conseguir disputar melhor os 50m livre e essa passa a ser a principal prova. Porém, como já conversamos, não iremos abrir mão das outras provas, ela vai nadar os 100m livre, 100m costas, 50m costas”, contou o treinador.

Toda mudança, claro, gera expectativas e para isso Etiene Medeiros continua com um trabalho mental forte. É preciso deixar alguns vícios da prova dos 50m costas de lado e trabalhar de uma maneira diferente para que os 50m livre ‘encaixe’ no jargão técnico.

“Estou já com um trabalho específico com a minha psicóloga a Cris. Mentalmente estou muito positiva para essas provas do 50m e 100m livre. Acho que tenho uma bagagem muito boa nessas duas provas. Eu me dedicava 40% nelas, o restante era para o nado costas e hoje isso está mudando. Estou bem feliz de ter decidido por isso e estou disposta a fazer algo diferente. Então isso já é um bom caminho, um bom começo para dar um resultado legal”, afirmou Etiene.

Com ano pré-olímpico já em curso e competições importantes chegando, Etiene Medeiros também analisou o momento que os esportes aquáticos vivem. Semana passada os Correios anunciaram o fim do patrocínio à modalidade e, com um voto de confiança à CBDA, o patrocinador máster das últimas décadas do esporte no Brasil anunciou dias depois a renovação de contrato por mais dois anos à entidade, garantido – ao menos – uma continuidade às seleções brasileiras rumo à Tóquio.

“Estamos vivendo talvez nosso pior momento dos esportes aquáticos no Brasil. Corremos o risco de quase ficar sem patrocinador máster. Hoje estamos em uma fase crítica. Os Correios – ainda bem – deram um olhar diferenciado para nós e termos mais dois anos de ajuda com a confederação. Temos potencial para ter outros patrocinadores, mas não estamos em uma fase boa e isso – de uma certa forma, pelas incertezas – pode afetar sim o nosso treinamento, o atleta tem que ter uma cabeça muito focada e disciplinada no que ele quer, por que não é fácil. Acho que os mais afetados não seremos nós da elite, mas sim a base e quem estará nadando daqui a dez, vinte anos que vai sentir lá na frente. São mais de dois anos com uma nova configuração de gestão e não vimos grandes mudanças, e nós atletas ficamos com aquele apelo da transparência. Sigo fazendo meu caminho e meu trabalho por que também passei por algumas dificuldades no início e gostaria que cada um fizesse seu papel. É triste a realidade, é. Mas se cada um fizer seu papel isso pode melhorar”, finalizou.

 

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